"Não vou permitir que um indivíduo que faz propaganda do que é ser negro em suas rodinhas de convertidos tardios ao esquerdismo - todos criados em berço de ouro - venha me dizer o qwue é ser negro. Nas minhas veias correm,
com muito orgulho, sangue de quem foi escravo e ajudou a fazer deste o nosso país"

HERALDO PEREIRA, jornalista, sobre o racismo que sofreu de um "colega" de profissão.

Leia na edição de abril da RAÇA BRASIL

EM JUNHO, NAS BANCAS:



Uma família bem brasileira (sem estereótipos)
Em meio ao sucesso da novela Rebelde, exibida diariamente na Record, um grupo de atores vem se destacando: Zezé Motta, Antônio Pompêu, Rocco Pitanga, Michel Gomes e Juliana Xavier. Seus personagens – que formam a família Alves  não são estereotipados, como é comum em outras produções da TV brasileira, ou seja, os negros de Rebelde não são pobres, ladrões, traficantes ou possuem subempregos. Pelo contrário, os Alves são o retrato de uma família típica da classe média brasileira, com todos os dramas e as alegrias vividas por milhões de pessoas Brasil afora. Sem a conotação racial, é possível perceber uma evolução no tratamento dado aos atores negros no Brasil. A veterana Zezé Motta comemora. “Sou do tempo em que o negro nas novelas não tinha nem família. Os nossos personagens viviam a reboque, sem um melhor desenvolvimento nas tramas. O que me emociona nesse trabalho é que fizemos parte de um movimento que sempre buscou virar esse jogo e, depois de décadas, estamos colhendo os frutos dessa luta.” Um avanço na teledramaturgia brasileira ou apenas uma exceção? Leia a opinião dos atores sobre o assunto.

Nas Páginas Pretas, uma entrevista com Rilza Valemtim, a prefeita da cidade mais negra do Brasil (mais de 90% da população). São Francisco do Conde, no Recôncavo Baiano, é também o município com a maior arrecadação per capita da América Latina, graças aos royaties do petróleo. Com tanto dinheiro, porém, os contrastes econômicos e raciais na região ainda são gritantes.
E falando na força das mulheres, conheça a Frente Nacional de Mulheres do Hip Hop, uma associação que está ganhando o Brasil com fortes ideias (e ações) sociais que extrapolam os limites deste que é um dos maiores e mais importantes movimentos culturais do país.
E leia também: a Independência da Bahia, comemorada em 2 de julho; a polêmica da peça Namíbia, não!, com texto de Aldri Anunciação e direção de Lázaro Ramos; a fé, a arte e a luta do músico e militante pernambucano Jorge Riba; a imprensa negra; Barack Obama e a sua nacionalidade americana contestada.
E mais: teatro, música, graffiti, raízes, eventos, dicas de leitura...

RAÇA BRASIL
, cultura e informação na medida certa!
Nas bancas, bibliotecas e pontos de leitura de todo o Brasil, a partir do dia 8 de junho.


 

EM MAIO, NAS BANCAS:



Gilberto Gil é destaque da RAÇA BRASIL de maio
Maio é sempre um mês especial para os negros brasileiros. Se o 20 de novembro (dia de Zumbi) é uma data de comemoração, o 13 de maio soa como reflexão, devido a uma abolição conturbada (e inacabada) que não está nos livros de história. E nessa edição especial de maio, RAÇA BRASIL traz como destaque uma entrevista exclusiva com
GILBERTO GIL. O músico, político e ativista recebeu a nossa equipe em sua casa, em um dos bairros mais valorizados de Salvador. À vontade – de “chinelo de dedão” –, Gil falou de seu último trabalho (Fé na Festa), um retorno às suas raízes de homem do interior, e também do tempo em que foi ministro da Cultura. Falou de Lula, Dilma e Barack Obama, sem deixar de lado suas opiniões fortes sobre a escravidão e o renascimento africano.
“A primeira grande questão é livrar a África desses últimos resquícios de uma colonização que, em muitos aspectos, foi mais prejudicial que benéfica para o surgimento de uma África nova, de um continente unido...”

A revista traz, ainda, uma matéria sobre o Afrobeat, movimento musical (e político) que consagrou o nigerano Fela Kuti como seu maior representante e que deixou discípulos mundo afora. Por aqui, bandas como a Afroelectro e Bixiga’70 dão um tom mais moderno a esse caldeirão de ritmos que é o afrobeat. E, falando em música, conheça as Meninas de Sinhá, senhoras mineiras de 50 a 90 anos que deram uma banana para os problemas típicos da idade e hoje brilham nos palcos brasileiros, cantando, tocando e dançando cheias de graça e talento.

E ainda: José Tozzo – um padre brasileiro que viveu entre os konkombas, no norte do Togo; curiosidades sobre os Zulus (a maior nação africana); as várias origens da feijoada; entrevista com o britânico Idris Elba, o astro negro que interpreta um deus nórdico no filme Thor; Leandro Firmino da Hora; Gingas do Brasil; Zózimo Bulbul e Elza Soares na seção Raízes e várias dicas de leitura, shows, espetáculos... Cultura e informação na medida certa.

RAÇA BRASIL, nas bancas, bibliotecas e pontos de leitura de todo o Brasil, a partir do dia 8 de maio.

BAILE DE GALA EM SÃO PAULO
DIA 28 DE MAIO, IMPERDÍVEL:

OS BONS TEMPOS ESTÃO DE VOLTA COM O TRADICIONAL MUSICAL NOSTALGIA

Dia 28 de maio, venha dançar e se divertir muito com os DJs Rodrigo, Cosmo e Rúbio no
Grande Baile de Gala, com produção e organização de Conceição Evento.

Na pista, grandes hits do passado e muita animação com o tradicional Musical Nostalgia.

Uma noite cheia de emoção e elegância em que você é o convidado principal.

Essa grande festa acontece pela primeira vez no tradicional CASSASP
(Clube Associativo de Sub-oficiais e Sargentos da
Aeronáutica de São Paulo).

Uma noite de sábado que promete muitas emoções, surpresas e elegância por todos os lados.

Local: CASSASP - Rua Tenente Rocha, 387, no bairro de Santana, em São Paulo.
(altura do 2040 da avenida Braz Leme)
Reservas e informações: (11) 3259-4146 e 23890162

NÃO PERCA!



EDITORIAL

Coisas de

mulherzinha
Dando os últimos retoques na edição de março da RAÇA BRASIL, percebi o quanto alguns conceitos e percepções sociais mudaram desde que eu me entendo por gente. No geral, o que mais despertou a minha atenção foram as chamadas "coisas de mulherzinha". Muitas das atividades atribuídas exclusivamente a elas, hoje tornaram-se "unissex".

O motivo? Ora, as mulheres estão conquistando cada vez mais espaço profissional em todas as áreas da sociedade e, em muitos casos (muitos mesmo!), superando os homens em competência e dinamismo. Assim, enquanto elas saem de casa de manhã e só voltam à noite (depois da faculdade ou algum curso de especialização), fica a cargo de quem lavar, passar, cozinhar e cuidar do filho? Adivinhou? E ainda é preciso estar arrumado e cheiroso para quando ao lar ela retornar! Uma dura inversão de valores para nós, homens, acostumados a sustentar a família e dar a palavra final em casa. Nesses novos tempos, até ela soa diferente: "Sim, amor, deixa comigo".

Mas sem crise, pois tais mudanças da postura feminina em uma sociedade altamente competitiva só traz benefícios: a elas, a nós e a nossas crianças – futuros adolescentes mais bem-educados e cheios de autoestima –, e cidadãos plenamente preparados para a vida adulta. Separei 3 frases de grandes mulheres que nos honraram com suas entrevistas nesta edição especial. Leia e preste muita atenção:

"Criei meu filho Juliano à base de poesia e o resultado é avassalador, no sentido da delicadeza, humanidade, altruísmo, solidariedade e ética"
ELISA LUCINDA, poeta, a estrela de capa desta edição

"É muito bom fazer a diferença e chocar as pessoas no bom sentido, provando que beleza física pode e deve ser associada à cultura. Uma não anula a outra"
QUITÉRIA CHAGAS, atriz, modelo e bailarina

"Curiosa, aprendi a ler em letreiros de comércio. Eu tinha a necessidade de aprender, ainda mais vivendo em uma sociedade preconceituosa, não queria me limitar"
LUCIANA MAIA, cabeleireira e escritora

Então, percebeu alguma diferença no agir e no querer de nossas meninas? E a nós, marmanjos de plantão, só restam duas coisas a fazer: contemplá-las e admirá-las, cada dia com mais respeito e orgulho. E viva as mulheres!

Muita sorte a todos

André Rezende - editor
andrerezende@escala.com.br

 

Leia na RAÇA BRASIL de março

Coisas de mulherzinha...
A poeta, escritora e atriz Elisa Lucinda já chega avisando:
Palavra é poder!”. A expressão é a mais fiel tradução daquilo que ela chama de Revolução Educacional. Elisa não tem papas na língua. Desde pequenina, em Vitória do Espírito Santo, aprendeu a dominar e a utilizar toda a potencialidade dessa ferramenta (a palavra), também uma arma, que se transformou na matéria-prima de suas poesias, crônicas, textos teatrais e, também, num eficiente instrumento de sedução. Com a palavra na RAÇA BRASIL, a poderosa Elisa Lucinda!

E outras mulheres de fortes personalidades participam dessa nova edição: a bela e inteligente atriz e modelo Quitéria Chagas; Tia Eron, uma líder política e evangélica em plena Salvador (terra dos Orixás), numa entrevista polêmica; Luciana Maia, a cabeleireira que virou escritora e nos contou tudo sobre a Era Black Power, que mudou a cabeça e a postura dos jovens negros na famosa Galeria 24 de Maio, em São Paulo; além de depoimentos especiais sobre a “dor e a delícia” de ser uma mulher negra no Brasil.

E como a RAÇA BRASIL de março é uma grande homenagem a elas, Helder Dias, dono da HDA Models, mostra com a sua trajetória o porque é considerado atualmente como o maior divulgador da beleza afro-brasileira. Tem ainda um panorama das grandes cantoras sul-americanas e uma grande matéria sobre Barbados, um paraíso no Caribe cuja população de maioria negra vive com tudo aquilo que sonhamos: belas praias, tranqüilidade, baixo índice de violência e ma educação de primeira qualidade. Bom para o turismo e o estudo.

RAÇA BRASIL, cada vez melhor e mais informativa

Nas bancas (e também em sete mil bibliotecas, pontos e postos de Cultura de todo o Brasil), a partir do dia 9.

Leia na RAÇA BRASIL de fevereiro

A força do Hip Hop
A volta do programa Manos e Minas à grade da TV Cultura – depois de um grande movimento em prol da atração envolvendo artistas, intelectuais e o povo da periferia –, trouxe à tona algo que há muito é percebido, porém, somente agora começa a ficar evidente: a importância da cultura hip hop na formação de cidadãos mais conscientes. Foram precisos anos para mudar o conceito de que tudo o que se produzia na periferia, principalmente vindo dos jovens, não prestava. Os bastidores da campanha pelo retorno do Manos e Minas na TV e as perspectivas do Hip Hop nacional para 2011 você confere na edição de fevereiro da RAÇA BRASIL.

A revista traz também um outro lado de nossas mulatas. Sai a musa ‘bonita e gostosa’ da folia, e entra em cena (nos principais cinemas do país) a mulher que, muitas vezes, é uma pessoa melancólica, cheia de angústias e carências. A mulata carioca não é apenas ‘bunda’. Muitas vezes são mães dedicadas, chefes de família e profissionais das mais variadas áreas. Cada uma com sua história marcada por preconceitos e estereótipos e, em comum, o amor incondicional pelo samba, pelo carnaval, pela vida.

E o que você conhece sobre a maçonaria? Nesta edição, trazemos uma grande matéria sobre esta Ordem que, de misteriosa pouco tem, mas está repleta de líderes negros. Do Senegal, o pessoal do Centro de Teatro do Oprimido (CTO) traz suas impressões sobre o país africano através da arte. Da Bahia, Lídice da Mata – a primeira senadora eleita do estado – nos deu a honra de uma bela entrevista onde fala de sua relação com os movimentos negros e sua preocupação com a educação no Brasil.
Um bate papo com o guitarrista Da Ghama (ex-Cidade Negra); o perfil do videomaker, músico e produtor Paulinho Sacramento; a elite negra dos chefs de cuisine; ano novo no Complexo do Alemão (sim, passamos o reveillon por lá) e muito mais novidades pra você.

Revista RAÇA BRASIL, cada vez melhor e mais informativa!
Nas bancas, dia 6 de fevereiro

www.racabrasil.com.br

BELA, TALENTOSA E CONSCIENTE

LARISSA LUZ

Muito atuante nas questões raciais, a cantora Larissa Luz, do Araketu, fez questão de deixar seu depoimento aos leitores da RAÇA BRASIL sobre Consciência negra. Confira:

"Dói saber que, em pleno século XXI, ainda existem pessoas que julgam os outros pela cor da sua pele. Mais que igualdade, precisamos de respeito! As diferenças e diversidades existem e estão dispostas para o mundo. Cada um com a sua cultura e com a sua história compõe ricamente uma sociedade vasta! E isso é muito bom!
Orgulho-me de ser uma mulher negra!
Apesar de uma história sofrida, o negro tem uma cultura fascinante que encheu de luz a composição da nossa trajetória artística: ritmos marcantes, instrumentos com timbres fortes, danças com muito swing. Além de ter muita força, o negro acrescentou muito à sociedade brasileira, e só quem não tem poesia no olhar não percebe o quão lindo o negro é.
Somos a nossa batida, o dendê , o agogô, o Ilê, o AraKetu, o Olodum... Somos filhos de um mesmo criador! O mesmo que criou o amor, o cuidado e a compaixão. Somos juntos grande parte de uma nação, que em busca de brechas entre atitudes frias e inaceitáveis vamos conquistando com muita garra o nosso espaço"

 

LEIA NA RAÇA BRASIL DE NOVEMBRO


 
GOG, E SUA RIMA CONTUNDENTE

No mês da negritude brasileira, a revista RAÇA BRASIL está pra lá de especial! Nosso destaque de capa é o rapper GOG, que acaba de lançar seu primeiro livro, A Rima Denuncia, pela Global Editora. Em entrevista exclusiva, o brasiliense dispara todo o seu conteúdo cultural e político, e ainda fala de suas influências literárias, sobre racismo e o atual papel do negro na sociedade brasileira. E algumas de suas letras contundentes como Brasil com P e Fogo no Pavio, são relembradas na matéria do jornalista Alexandre de Maio. Um personagem forte para marcar o dia 20 de novembro. E falando nisso, leitores de várias partes do Brasil expressam suas opiniões sobre o “feriado”. Entre os depoimentos, foi bom perceber que a autoestima, a cultura e a educação foram citadas como itens fundamentais para uma melhor formação da consciência negra brasileira.

Outro entrevistado que chama a atenção é T.Kaçula, cuja vida é dedicada quase que 100% ao samba. Mas o artista e estudante de Sociologia e Política vai além do consagrado ritmo. Para T.Kaçula, o samba é mais que música. “É um excelente instrumento para conscientizar e politizar”, afirma o criador da Rua do Samba Paulista.


Em Olhares Negros, o repórter Roniel Felipe mostra como a popularização da fotografia digital ajudou a mostrar a visão de mundo e negritude de várias pessoas que não tinham condições de adquirir um equipamento de ponta. E os “fotógrafos da raça” mandam muito bem e ainda conseguem divulgar seus trabalhos para o mundo inteiro.

Nas Páginas Pretas, Maurício Pestana entrevistou em Madri, na Espanha, uma das maiores feministas e antirracistas da América Latina: Epsy Campbel, da Costa Rica, mulher com religiosidade forte que fala, principalmente, da importância da integração negra na América Latina. Leia também um minucioso balanço da igualdade racial na Bahia preparado pela Sepromi. E mais: Congada, a tradição negra; Steve Biko; Seção Estilo, Graffiti, Baú do Hood, Gingas do Brasil, Arthur Bispo do Rosário e muitas dicas culturais.

Congada

 

E nesta edição, grátis, encarte ilustrado com 16 páginas sobre os 100 anos da Revolta da Chibata.

 

RAÇA BRASIL, CADA VEZ MELHOR E MAIS INFORMATIVA

 

DIA 12 DE NOVEMBRO, NAS BANCAS!

DE CARA NOVA
Um dos maiores ibopes do canal 6 da Net, o programa No Templo dos Orixás, que aborda as culturas afro-brasileiras, terá sua reestreia no próximo dia 13, sábado, de 15 às 16 horas, com novas atrações

.

Com um ano no ar, recém-completado em setembro, e apresentado pelo consultor espiritual Wellington Nunes, o programa passou por algumas mudanças em sua estrutura para fidelizar ainda mais o seu público, que vem respondendo positivamente aos temas debatidos pelo talk show.

Entre as novidades estão as gravações externas integradas com a natureza, flashes de várias participações do apresentador em eventos, além de mostras de filmes e documentários. Outra inovação é o quadro Os Buzios Respondem e as entrevistas com personalidades ligadas às culturas afro-brasileiras. No novo programa , as gravações externas serão realizadas em locais bucólicos no Rio de Janeiro, como Jardim Botânico, Parque Burle Marx e Floresta da Tijuca.

Serão exibidos ainda flashes sobre as participações do consultor espiritual no Festival do Rio 2010, além das mostras dos documentário Escravo dos Santos, de Kelly Hays e Jardim das Folhas Sagradas, de Pola Ribeiro. Ambos serviram como ganchos para discussões acerca das correlações das entidades femininas com a sociedade e dos sacrifícios de animais realizados pelas religiões afro-brasileiras - atitude sobre a qual Wellington faz questão de expor sua oposição.

No quadro, Os Búzios Respondem, Wellington fará previsões sazonais do cotidiano geral da sociedade e as entrevistas realizadas com personalidades ligadas as culturas afro-brasileiras prometem muitos debates e novos conhecimentos.

No Templo dos Orixás é exibido aos sábados (15 às 16 horas) com a primeira reprise no mesmo dia, às 24h e a segunda no domingo, às 16h, no canal 6, da Net

 

 

 

LEIA NA RAÇA BRASIL DE OUTUBRO

Duas capas, o mesmo conteúdo

 

O drama de Louis Armstrong é um dos destaques da edição. No livro Pops, lançamento da Larrouse de Brasil, a vida do trompetista americano é abordada além de sua arte, de seu som contagiante, de seu jazz cheio de energia e das caras que caracterizaram o músico. Numa época em que os negros americanos não tinham motivos para sorrir – e só contorciam o rosto ao expressar sua dor pela segregação racial, o astro também sofreu, porém, em seu caso, experimentou a desconfiança de brancos e negros.
A matéria Entre e a Cor e a Arte, do jornalista Roberto Lopes, é de tirar o fôlego.

O outro destaque de capa são as nossas crianças! Em uma bela sequência de imagens, o fotógrafo Adriano Ávila captou momentos únicos da relação de crianças com a natureza, suas brincadeiras, imaginação e criatividade aliadas a vida simples (e feliz!) das comunidades quilombolas. Fotos de um cotidiano muito distante das grandes cidades.
Ainda no universo infantil, conhecemos de perto o trabalho feito pelo Ylê Aiyê com as crianças da Liberdade, o bairro com a maior população negra do Brasil. Na entidade, elas aprendem de forma efetiva o valor da educação e da cultura para um futuro de sucesso e cidadania.

Do sul, fomos buscar a arte da Cia Afro-Cena, formada apenas por atores negros. que busca conscientizar a população sobre o avanço das drogas na sociedade, através de peças de teatro e filmes. O mais recente é A Idade da pedra, que aborda de forma clara a epidemia do crack, que já se alastra por todo o país. Mais que um problema social, a pedra que mata é fruto da falta de valores familiares na formação de nossos filhos.

Nas Páginas Pretas, o professor Kabengele Munanga, da USP, explica a ausência de outros negros na instituição e avisa: “Com educação, o quadro vai mudar”.  Tem ainda um papo bacana com o ator Luis Miranda, que em novembro estreia nos cinemas o filme Muita Calma Nessa Hora; um perfil do pequeno grande astro Jaden Smith; Gingas do Brasil; Graffiti; Baú do Hood; a história do escravo Lucas de Feira e muito mais!

RAÇA BRASIL, CADA VEZ MELHOR E MAIS INFORMATIVA

 

NAS BANCAS A PARTIR DO DIA 12 DE OUTUBRO

 

 

SEU NENÊ DE VILA MATILDE


Alberto Alves da Silva, o popular Nenê de Vila Matilde, morreu na madrugada desta segunda-feira (4 de outubro), em São Paulo. O Patriarca do Samba tinha 89 anos e estava internado havia alguns dias no Hospital Tatuapé, por causa de uma gripe forte.
Seu Nenê fundou a escola em 1949 junto a outros sambistas que faziam rodas de samba no Largo do Peixe, no bairro da Vila Matilde, ficando à frente da Nenê da Vila Matilde até 1996, quando passou o posto para o filho Adalberto Alves, o Bentinho, devido a problemas de saúde. Mesmo afastado, continuou desfilando normalmente pela escola. Em 2010, ano em que a agremiação venceu o Grupo de Acesso e voltou a figurar entre as grandes de São Paulo, lá estava Seu Nenê no desfile das campeãs, sentado em um dos carros alegóricos, segurando, orgulhoso, a taça.
Em 2009, Seu nenê foi destaque das Páginas Pretas da Raça Brasil (edição 129) e relembrou sua trajetória no mundo do samba. A seguir, relembramos os principais trechos da entrevista, concedida a Mauricio Pestana, Presidente do Conselho Editorial da Raça Brasil.

Como nasceu a Escola de Samba Nenê de Vila Matilde?
A data exata eu não poderia precisar, porque a idéia surgiu antes. Eu tinha um conjunto com os meus irmãs, naquela época só fazia folia e a gente viajava, íamos em Itaquera, Vila Mariana, tocávamos em aniversários, casamentos... Levávamos surdo, violão, cavaco e pandeiro. Era tudo na garganta! Uma dessas vezes, em plena véspera do Ano- Novo de 1948, fomos tocar numa orquestra. Quando desci do trem na Vila Matilde e vim andando, foi que surgiu o impulso para formar a escola. Mas sua fundação oficial foi em 1949.

De que forma  o samba entrou em sua vida?
Aí eu vou ter que puxar pela minha memória, lá na minha infância, resgatando coisas, e você verá que o samba esta em meu sangue, no meu DNA. Embora minha mãe tivesse vindo de Minas, meu pai era carioca, vascaíno ferrenho, orgulhava-se em dizer que era de Santa Tereza, mas que havia crescido em Moça Bonita, também no Rio de Janeiro. Aí você imagina, né? Ele falava o tempo todo de sua cidade e, principalmente, do samba que era praticado na sua terra. Isso acabou influenciando toda a família. Ele era do tempo da Zabumba, ritmo antigo misturado com sanfona. Dançava o cateretê, uma dança parecida com folia de reis, pois o som se misturava com uns toques de viola. Minha mãe o acompanhava, dançando... Aí já viu... Crescido num ambiente desses, eu não poderia dar em outra coisa.



Quais suas maiores lembranças do Carnaval de antigamente, da sua juventude?

Era um carnaval normal, um carnaval para se brincar, com o único compromisso de se divertir. Tinha um grande apelo popular, a participação era geral. Todo mundo saía para brincar, mesmo que fosse apenas colocando uma fantasia de pierrô, colombina, palhaço ou marinheiro. Era um Carnaval lindo!

Fala-se muito do embranquecimento do Carnaval; Antes havia mais negros nas escolas de samba?

Não! As escolas de samba tiveram um número grane de negros e até hoje têm. A questão é que naquela época escola de samba era coisa de negro, só de negro. Hoje você tem branco, mulato, amarelo... naquela época o racismo com relação a nossa gente era tão grande que samba era coisa de preto, não porque éramos mais poderosos e presentes que hoje, simplesmente porque éramos muito mais discriminados. Conhece a expressão samba do crioula doido ou de branco maloqueiro? “Branco decente” nem ia até lá para não se misturar.

A Nenê da Vila Matilde é uma das poucas escolas comandadas por uma família negra em São Paulo. Como o senhor vê esse fato?

Você tem que ver isso por diversos pontos. Primeiro porque o carnaval mudou muito. Hoje, mais do que uma festa para divertir e sambar, existem outros interesses, dos quais, muitas vezes, nosso povo está distante de participar. Sabe por que aumentou também o número de brancos nas escolas de samba? Porque o branco tem mais dinheiro para comprar uma fantasia e aí fica difícil a concorrência. Sabendo disso, fica mais fácil entender o porquê perdemos tanto espaço até mesmo na direção de nossas escolas. Mais uma vez: DINHEIRO!

Então, a questão financeira pesa?

Pesa e muito! Tem gente que acha que é puro negócio. Já passamos por situações que você nem imagina. Tempos atrás, apareceu um cara aqui perguntando se o Bentinho (filho de Seu Nenê, atual presidente da Nenê de Vila Matilde) não queria vender a escola. Meu filho lhe disse que escola de samba não se vende, é coisa de família e família não se vende.

O senhor foi candidato a vereador em São Paulo. Como, mesmo sem ser eleito, sua atuação política ajudou a Nenê de Vila Matilde?
Não só a escola, mas ao carnaval paulistano como um todo. Graças às muitas brigas, a organização do Carnaval hoje em São Paulo é outra. Foi um esforço muito grande e uma briga política gigantesca para que tivéssemos a Passarela do Samba Grande Otelo, que deu outra cara para a festa.

Em sua opinião, como será o Carnaval daqui a, digamos, uns 20 anos?
Tem tudo para ser melhor do que é hoje e do que foi ontem, afinal, a base já foi feita. Difícil é fazer o Carnaval sem nenhuma base, quadra, recursos.

A presença da mulher numa escola de samba é representativa?
Mais que representativa, é fundamental! Toca uma escola, não é mole, não, e se não tiver mulher no meio, não tem nada. Elas são fundamentais na construção de tudo o que envolve o Carnaval, não é à toa que muitas escolas são tocadas por mulheres. Não vê a Mangueira? Morreu Cartola, mas a grande figura que ficou simbolizando a Verde e Rosa foi Dona Nelma.

O que deve melhorar no samba e no Carnaval?
Precisa de recursos financeiros e de gente que tenha vontade. O samba foi até agora levado por uma geração de entusiastas que vestia a camisa em nome da boa festa, do bom carnaval, mas daqui a pouco essa geração vai morrer, aí quero ver quem vai aguentar!

 (Raça Brasil edição 129, fevereiro de 2009)

FACULDADE ZUMBI DOS PALMARES
BOLSA DE ATÉ 100%
Estão abertas as inscrições para o Vestibular 2011 da Faculdade Zumbi dos Palmares. Dentro do seu projeto de responsabilidade social, a Faculdade manterá o Concurso de Bolsas. São bolsas que variam até 100%, totalizando 200 bolsas de estudo aos alunos ingressantes, com validade até o término do curso. Está muito fácil obter desconto nas mensalidades. As inscrições, que vão até o dia 2 de dezembro, têm taxa de R$ 20,00 e podem ser feitas pelo site ou pessoalmente no Campus Tietê, situado à Avenida Santos Dumont, 843, Ponte Pequena, São Paulo. 
 

A prova classificatória do vestibular será realizada no dia 04 de dezembro de 2010, das 10 às 13h.  Os vestibulandos serão avaliados quanto aos conteúdos ministrados no Ensino Médio referente às disciplinas de Língua Portuguesa, Matemática, Conhecimentos Gerais, testes de múltipla escolha, e Redação.  Havendo vagas remanescentes, a Instituição realizará Processo Seletivo, em 2ª fase, no período de 10 de janeiro a 18 de fevereiro de 2011. 

Os cursos de Administração, Direito, Tecnologia em Transportes Terrestre, Pedagogia e Publicidade e Propaganda, todos em horário noturno, têm em sua matriz curricular muitos diferenciais das demais faculdades como por exemplo, a disciplina de História Econômica dos Negros, entre outras, além de ensinar tudo o que é necessário para transformar o aluno em profissional habilitado e capaz de criar suas próprias oportunidades. Isto porque o empreendedorismo, o trabalho em equipe, e a autonomia são fomentados durante todo o decorrer dos cursos.
Muitos são os motivos de identificação que fizeram com que os atuais alunos da instituição escolhessem a Zumbi. Identifique o seu motivo e escolha a Zumbi. Acesse o site da Zumbi e veja os depoimentos de alguns formando de 2009.

Para saber mais detalhes acesse www.zumbidospalmares.edu.br

 

HISTÓRIA
Laudelina Campos de Mello
Neta de escravos, ela bateu de frente com políticos poderosos, infernizou a elite racista de toda uma cidade e eternizou seu nome como o grande ícone da luta das empregadas domésticas

por Roniel Felipe | fotos Divulgação



Embora os ocorridos em Montgomery, no primeiro dia de dezembro de 1955, sejam um marco da história da luta pela igualdade racial, poucos lembram com exatidão o que aconteceu na cidade do estado do Alabama, Estados Unidos. Porém, as dúvidas que envolvem a fatídica manhã de verão tornam-se quase nulas quando o nome Rosa Parks é lembrado. Batizada como Rosa Louise McCauley, a costureira nascida em Tugeskee fez história ao negar ceder seu lugar em um ônibus para que um homem branco sentasse. O ato pioneiro de insubordinação contra o apartheid levou Rosa à cadeia, mas serviu de estopim para a criação do Movimento dos Direitos Civis dos afro-descendentes norte-americanos. O que muita gente também não sabe é que enquanto, nos EUA, Rosa Parks eternizava seu nome entre as notáveis negras da história; no Brasil, ainda na década de 1950, uma outra negra de extremo senso de justiça e inquietação, semelhante ao da estadunidense, passava por cima de qualquer obstáculo e infernizava políticos e elitistas preconceituosos. Seu nome, Laudelina Campos de Mello, que veio ao mundo em 12 outubro de 1904, na cidade de Poços de Caldas, Minas Gerais. Fruto da união de uma escrava doméstica e um lenhador, ela nasceu livre devido a Leia Áurea. Se no papel a situação parecia confortável para os negros, a realidade era cruel.

Aprendendo a lutar
A relação escravocrata ainda se fazia presente e desde muito cedo a pequena garota sentiu o gosto do racismo, pois vivia agarrada à mãe, Dona Sidônia, serviçal de uma renomada família da cidade. "A sinhá teve uma filha surda e que não andava. Então a minha mãe tinha que pajear a menina. Ela carregava pra dar banho, dava comida na boca. Na hora que ela tinha acesso (crise), ela jogava prato na minha mãe.
Minha mãe não podia falar nada, tinha que ficar quieta, aceitar, agradar". Os vexames e ofensas que a sua mãe recebia da patroa não eram as únicas manifestações de preconceito sofridas por sua família. Na escola, quando provocada por colegas brancas, a espevitada Laudelina não pensava duas vezes antes de revidar aos xingamentos racistas.
Diferentemente de sua família que aceitava com resignação as humilhações constantes. Se por um lado, seus familiares mantinham um comportamento respeitoso diante da costumeira opressão, a falante menina deixava transparecer a personalidade forte que marcara sua trajetória. Em 1914, com apenas 10 anos de idade, ela pulo no pescoço e quase sufocou o capataz que, a mando da sinhazinha, tentara, em vão, aplicar chibatas na Dona Sidônia. "A minha mãe dizia para mim que eu deveria ter nascido homem, porque eu já nasci com aquela garra, com aquela coisa que tudo para mim eu não deixava passar, queria enfrentar".


Dona Laudelina durante cerimônia de posse da Associação das Empregadas Domésticas de Campinas, em 05 de setembro de 1962

Tempos idos, tempos difícies
A morte do pai Marco Aurélio, no ano de 1917, dificultou a vida dos Campos de Mello e Laudelina foi obrigada a abandonar os estudos na terceira série do primário para se dedicar à profissão de empregada doméstica. A rotina de trabalhadora somada à missão de cuidar dos irmãos menores não impediram que seu senso de liderança se manifestasse. Assim, aos 16 anos, obteve seu primeiro cargo administrativo: a presidência de um clube para jovens, algo até então raríssimo para uma mulher na década de 20, ainda mais negra. Próxima da maioridade, Laudelina conheceu o pedreiro Henrique Geremias por quem se apaixonou e passou a se encontrar secretamente, mas teve o relacionamento impedido por sua mãe.
Carioca radicado em Santos, Henrique deixou Poços assim que a construção do hotel que trabalhara foi concluída. Entristecida com o fim do namoro, Laudelina, empregada de Julia Kubtischek, mãe do jovem político que em algumas décadas iria mudar a história do país, mudou-se para São Paulo com a patroa. Na capital paulista, o destino fez com que a jovem doméstica cruzasse novamente o caminho de Henrique, com quem casou-se em Santos, logo após o término da Revolução de 1924. Depois de uma breve estada no litoral, Laudelina regressou a São Paulo, onde, no dia 13 de maio de 1925, concebeu Alaor.

Entre sonhos e trincheiras
A vida de mãe e dona de casa seguia calma até a Revolução Constitucionalista de 1932, quando oligarquias puseram em prática o plano de dar fim à ditadura imposta por Getúlio Vargas. Presságios anunciavam que São Paulo seria palco de um conflito armado, e às pressas, os Campos de Mello fugiram para Santos. Na volta à cidade portuária, Laudelina e seu marido ingressaram em Saudades de Campinas, associação de caráter cultural e um dos tentáculos da Frente Negra Brasileira (FNB), uma das maiores entidades não governamentais do movimento negro nacional. "Eu era oradora e vice-presidente. O meu marido era o secretário. A fundação foi criada assim que terminou a revolução. Nessa época, eu participava da Associação só por lazer e cultura. Era um espaço do negro, já que os brancos eram muito racistas e não queriam se misturar." Em 1936, a Frente encontrava-se dividida pela incompatibilidade política de seus membros. Entre os descontentes com os novos rumos da FNB estavam os professores Geraldo Campos de Oliveira e Vicente Lobato. Também insatisfeita com as mudanças, Laudelina uniu-se à dupla e deixou transparecer seu grande sonho: incluir as empregadas domésticas no ramo sindical, assim garantindo-lhes direitos trabalhistas. Laudelina via a precariedade das condições de trabalho dessas mulheres e dos preconceitos reinantes, que ela percebia como resíduos da escravidão.

 

[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]