Surama Caggiano apresenta
“Mulheres Africanas”
Utilizando CDs e materiais reciclados, a artista plástica desenvolve um novo tipo de mosaico e lança sua primeira exposição individual

Cascos de palmeiras, CDs e elementos cenográficos não mais utilizados são a matéria-prima para o trabalho que Surama desenvolve há dois anos, tipo de mosaico reciclado que transforma placas de MDF em africanas de vestidos e turbantes coloridos.

Surama explora principalmente as possibilidades do CD. Segundo ela, para chegar ao resultado atual já realizou diversas experimentações, sendo esta técnica o sétimo processo desenvolvido. Ela retira a camada que recobre os discos e neles aplica jornais, revistas ou tintas para obter a textura que deseja. Muitos dos pedacinhos são pintados um a um, um trabalho que leva cerca de um mês por peça.

Conseguir os discos também não foi tarefa fácil. A artista possui parceria com empresas que fabricam os CDs, já que em cada uma das africanas são utilizados cerca de 150 discos, e teve que pedir autorização especial da zona franca de Manaus para provar que os CDs tinham utilização voltada para a arte. À primeira vista o produto final é semelhante ao mosaico tradicional, mas a leveza da peça e as possibilidades de cores são o diferencial. “O ladrilho e a cerâmica são mais limitados pelo peso e pela uniformidade de cor”, aponta a artista.

Surama nasceu em São Paulo e ainda criança foi para Bahia, mas aos 17 anos voltou para a correria paulistana. Para criar a mostra “Mulheres Africanas” retornou em 2009 à Bahia para buscar referências no Pelourinho, Ondina e Recôncavo Baiano, pesquisando também sobre a cultura africana, principalmente, países da África Ocidental como Benin e Burkina Faso.
O trabalho de Surama Caggiano pode ser conhecido no site www.artesurama.blogspot.com e algumas de suas peças estão à disposição no TU Mercado de Arte e Moda.
Exposição “Mulheres Africanas”
Onde: TU Mercado de Arte e Moda
End.: Pedroso de Morais, 793 – Pinheiros/SP
Horário: de segunda a sábado, das 10h às 20h; domingos e feriados, das 10h às 20h. Entrada gratuita.
Abertura: 29 de maio
Data: 30 de Maio a 4 de Junho
Sete Ventos
Inspirado no mito de Iansã, o espetáculo estreia
no Teatro da Cia dos Atores às 20h com histórias
de mulheres fortes e determinadas, que lutam
por uma sociedade menos machista e sexista
crédito fotos: Zezinho Andrade e Guina Ramos

Abram-se as cortinas para o universo feminino.
Débora Almeida, autora e encenadora da obra,
mergulha fundo, ou melhor, voa alto na tentativa
de expor a alma da mulher negra em seu
espetáculo Sete Ventos. Supervisionado pela
diretora Aduni Benton, a peça traz à cena
personagens femininas construídas a partir da fala
de mulheres negras reais e não frutos de imaginários.
É uma peça sobre mulheres, escrita por uma mulher,
a partir de várias outras mulheres.

De fato. A história contada é da personagem Bárbara,
uma escritora negra, filha de Iansã, que junto ao público,
conta e revive as histórias das mulheres que a influenciaram.
A trama se desenvolve através dos relatos de Bárbara,
que expõe suas dúvidas e o seu processo de crescimento
baseado em uma educação que sempre privilegiou sua
ancestralidade negra. A concepção optou por uma estética
que propicia uma atmosfera de encontro: a plateia perto da
cena e interagindo com a personagem (Bárbara)/atriz (Débora).
“Optei por uma narrativa do universo feminino que privilegie
as experiências e histórias de mulheres contadas por elas mesmas,
por acreditarmos na exposição dessas histórias como um meio de
construção de uma identidade feminina que dê conta de nossos
anseios e de nossa realidade. É uma forma de nos encontrarmos,
homens e mulheres, para um debate sobre a construção de uma
sociedade livre de exclusão e preconceito”, assopra a autora Débora Almeida.

Por que Iansã?
Além de ser uma nítida referência à cultura afro-brasileira, a
escolha por este Orixá se explica por Iansã ser a síntese do
cotidiano da mulher do século XXI: lutando pela independência
e pela feminilidade. Oyá é a mais feminista de todas as deusas africanas,
pois vai à guerra ao lado dos homens com sua espada e raios,
mas sem esquecer de seus leques e suas crias
– símbolos de sua feminilidade, ainda que seja uma Orixá guerreira.
O espetáculo Sete Ventos foi contemplado com o Prêmio
Myriam Muniz 2009 e tem como objetivo trazer à cena
teatral personagens femininos que retratem o cotidiano
da mulher negra brasileira e que contemplem as diversidades
sociais, econômicas e culturais em que essas mulheres
se encontram, propondo assim, uma arte menos estereotipada
e mais próxima da realidade. Além, é claro, de ser uma grande
reverência à estética afro-brasileira e aos cultos afro.
SERVIÇO
Sete Ventos
Temporada: Do dia 14 de maio ao dia 07 de junho,
sempre de sexta à segunda-feira
Local: Teatro da Cia dos Atores (Rua Manoel Carneiro, 10 / 12 – Lapa)
Horário: 20h (sextas, sábados e segundas) e 19h (domingos)
Contato: (21) 2242-4176
Entrada: R$ 20,00
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